segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trabalho X Vida

Ninguém merece segunda-feira. Todo mundo morto, com cara de bunda de velho. Eu não fujo à regra.
Tive até que ir à copa tomar um café para evitar que minha testa batesse no teclado. Um amigo entrou, sentou-se ao meu lado e começamos o papo semanal sobre futebol, que sempre acaba enveredando para outro assunto menos importante (afinal, o que pode ser mais importante para se conversar em plena segunda-feira do que futebol?).

Interessante foi que este "assunto menos importante" era trabalho (ou seja, era muuuuito menos importante que futebol). Aliás, era a relação trabalho X vida.



Ele tava comentando que no emprego anterior era chefe e hoje ele é um reles empregado (como este blogueiro que vos fala). Não, o cara não tava reclamando, tava comemorando! Isso mesmo. Segundo ele, ser chefe (pelo menos onde ele trabalhava) era cansativo e exigia muito. Papo de ficar mais de 12 horas no serviço (WTF?!). Ele desistiu do cargo quando fez as contas e percebeu que, mesmo com o aumento do salário, não compensava. Apesar do upgrade financeiro, por ele trabalhar tanto, estava ganhando menos por hora trabalhada do que quando era "pau-mandado".

"Caralho, como ele poderia estar ganhando um salário maior e recebendo menos por hora trabalhada?!" - Se você não entendeu e pensou isso, chuta o balde, eu não vou te explicar. Volta pro ginásio! Se você está no ginásio... ãããã... ah, se você está no ginásio, foda-se!

Bom, o que interessa é que com essa conversa eu lembrei de um texto que vi uma vez. Não sei a origem ao certo, mas me parece que é uma coluna do Max Gehringer, na rádio CBN. Muita gente já deve ter lido, mas vale conferir:
“Prezado Max, meu nome é Sérgio. Tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada. Quando eu era jovem as pessoas me diziam pra eu escutar os mais velhos que eram mais sábios agora eles dizem pra eu escutar os mais jovens porque eles são são mais inteligentes.
Na semana passada li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisas. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. E descobri pra minha surpresa que hoje poderia estar milionário. Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei, e principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 1 milhão de reais na conta bancária. É claro que eu não tenho esse dinheiro! Mas, se tivesse, sabe o que esse dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, acho que me sinto feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma monte de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.”
Apesar desse texto não falar sobre trabalho, mas sim sobre economia, o espírito é o mesmo: se preocupar em conseguir, ter, guardar (que seja) muito dinheiro te impede de gastá-lo. Não trabalhe demais. Faça como eu, não trabalhe nada! Tenha tempo para você e sua família (para sua esposa, certamente alguém terá tempo). Troque seu salário pelo seu trabalho, não pelo seu sangue. Seu sangue você doa, não vende.

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